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Artigo adicionado em 15/08/2003, às 07:45

VAI CONTAR O FINAL PRA SUA VELHA!
Vamos acabar com esta palhaçada, não é?

Por
Tutu Figurinhas


Depois de alguns meses desaparecido, eis que retorno livre, leve e solto para a coluna que tanto adoro aqui n’A ARCA! Calma, calma, guardem as pedras e tochas flamejantes, eu explico a razão do meu sumiço: como alguns já devem saber, sou jornalista de um grande (?) veículo de São Paulo. O codinome Tutu Figurinhas surgiu justamente para preservar a minha identidade, já que aqui eu tenho liberdade para destilar o meu veneno (a la Nelson Rubens). Enfim: o problema é que fui escalado para fazer uma série de matérias na Europa e não tive tempo nem de cortar os pêlos do nariz direito. Trabalhei tanto quanto um orc nas fornalhas de armas de Isengard.

Mas já estou de volta, lépido e saltitante… e pronto para detonar as minhas vítimas favoritas: os críticos de cinema. Estava eu no avião voltando para a pátria mãe gentil, ouvindo um papo-furado entre os dois metidos a executivos sentados do meu lado. Conversa vai, conversa vem, o cinema virou o assunto. Falando sobre as últimas estréias, um deles contou que já tinha visto O Exterminador do Futuro 3. E não é que o sujeito falou o fim do filme, que eu ainda não tinha assistido????? Fiquei tão possesso que quase levantei da poltrona em pleno vôo, preso pelo cinto, gritando indignado: “Eu ainda não vi o filme e você me conta o final, tá ficando maluco?”. O cara ficou tão vermelho de vergonha que não sabia onde enfiar a cara. A aeromoça veio me trazer água com açúcar. E eu fiquei irado até o fim da viagem. O sujeito nem conseguia olhar pra mim sem ficar constrangido. Quando chegamos ao Brasil, ele até deixou eu pegar o último táxi do ponto.

Agora, se este tipo de situação já é ruim, o que vocês acham de ler uma crítica de cinema num veículo especializado e se deparar com um cara contando toda a conclusão da trama pra você? Não interessa se é um final bombástico ou não: ele está ali para falar das virtudes e defeitos da película, não para encher o texto de desrespeitosos spoilers. Tem gente que gosta… mas tem muito mais gente que odeia saber este tipo de coisa! É um verdadeiro desrespeito aquele sujeito se achar acima da verdade, além do bem e do mal, e aproveitar a oportunidade de assistir a um filme antes para estragar a surpresa de todo mundo.

Na época do Matrix Reloaded, por exemplo, a revista Época fez uma reportagem exclusiva sobre a continuação, já que o enviado especial Luis Antônio Giron foi aos EUA e assistiu ao filme semanas antes de qualquer jornalista brasileiro. E não é que, no texto, ele conta uma monte de detalhes do final??? Fala que o Neo encontra o Arquiteto, que ele ressuscita a Trinity… Não é uma palhaçada? Olha, ele pode ser excelente profissional… mas que pisada na bola, meu! Não se trata um leitor desta forma…

O mesmo vale para uma resenha do Shrek que o R.Pichuebas leu no Estadão, na ocasião do lançamento do filme. Ele foi babando até o site do jornal pra saber se o filme era bom ou ruim… e não é que o danado do crítico contou tudinho sobre o fim???? Puta falta de respeito!

Esta é uma regra que vocês devem ter percebido que a gente segue à risca por aqui, nas páginas d’A ARCA: não damos nem uma pista sobre o final do filme, por mais previsível ou imbecil que ele seja.

No caso do R.Pichuebas, no entanto, ele tomou a atitude certíssima: escreveu pra lá reclamando e metendo a boca. É baseado no exemplo dele que estou lançando a campanha “Parem de contar os finais de filmes!”. É muito simples: toda vez que vocês lerem uma crítica que conte o fim do filme, mandem um e-mail para o jornal , revista ou site reclamando e com cópia pra nós, que a gente publica semanalmente aqui na minha coluna, pra denunciar esta atitude criminosa contra a nossa diversão de final de semana.

Em tempo: mesmo já sabendo o final, acabei indo ver ‘O Exterminador do Futuro 3’, só pela teimosia. E achei uma bosta. Horrível. Sei que o assunto rendeu discussões e mais discussões aqui n’A ARCA, mas é fato: êita, que filmezinho chato do cacete!

* Esta coluna foi escrita ao som de ‘Strays’, o novo disco do Jane’s Addiction. Dá-lhe, Perry Farrell!

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