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Artigo adicionado em 11/07/2005, às 09:46

Meu Filme É… ROBOCOP
RoboCop como filme favorito de R.Pichuebas? Não, não é bem assim…

Por
Julio "R.Pichuebas" Almeida


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Quando nosso querido Editor-Chefe El Cid pediu para que cada um de nós escrevesse um texto emocional sobre o nosso filme favorito, eu sabia que estava encrencado.

O primeiro motivo é que, embora esteja aqui n’A ARCA desde o primeiro dia e seja um dos membros do conhecidíssimo Círculo Secreto, por motivos profissionais e pessoais – leia-se excesso de trabalho e falta de competência – eu não costumo escrever pra este maravilhoso site como gostaria. Por isso, se por acaso você ainda conseguir se lembrar de alguma notinha minha de videogame, como aguentou ler A ARCA durante todo esse tempo?

O segundo motivo é que eu não tenho um filme favorito. Tenho uma enorme facilidade em dizer qual é a minha música favorita (“Confortably Numb”), meu jogo favorito (“The Legend Of Zelda”), minha série favorita (Twin Peaks) e meu prato favorito (“Espaguete aos Quatro Queijos”), mas quando chega a hora de dizer qual é o meu filme favorito eu simplesmente empaco. Fico dividido entre The Doors, Feitiço de Áquila, Os Intocáveis, Um Sonho de Liberdade, Os Imperdoáveis, qualquer filme de faroeste da dupla Clint Eastwood e Sergio Leone e muitos outros.

Então, na última reunião de pauta d’A ARCA, o Cid disse uma coisa que me fez decidir na hora sobre que filme escreveria. Ele disse para todos “Gente, ainda preciso dos textos sobre os filmes que tenham mexido emocionalmente com vocês”. “Emocionalmente”? De todos os filmes que já disse, nenhum deles mexeu comigo como aquele filme de ficção cientifica de 1987 dirigido por Paul Verhoeven (O Homem Sem Sombra, Tropas Estelares) chamado RoboCop. Afinal, nenhum deles me ensinou o verdadeiro significado das palavras “medo” e “terror” – ainda mais em uma sala escura e em Dolby Surround!

Eu devia ter aproximadamente sete anos na época e me lembro que “RoboCop” foi o primeiro filme que eu realmente vi no cinema por escolha própria. Tinha gostado muito daquele pôster que mostrava o ator Peter Weller (As Aventuras de Buckaroo Banzai) saindo do carro com a roupa de RoboCop e realmente achava a idéia de um robô policial muito interessante. No início do filme somos logo apresentados à gangue do vilão da história, Clarence Boddicker (Kurtwood Smith, de Garota Interrompida e o pai do Eric Forman da sitcom That ’70s Show), à Old Detroit, uma cidade tomada por criminosos violentos e praticamente propriedade de uma empresa inescrupulosa chamada OCP, e ao policial Alex Murphy (Weller), um cara simples, casado e com um filho. Recém-transferido de Metro South, esse era o seu primeiro dia em Old Detroit. Tudo bem até aí.

O principal objetivo da OCP era destruir a cidade de Old Detroit para iniciar a construção da utópica Delta City. Para que a explosão de violência que aconteceu com Old Detroit não voltasse nunca mais a acontecer, os cientistas da OCP desenvolveram um projeto que eliminaria a necessidade de policiais humanos e criaria assim um sistema de segurança infalível que trabalharia 24/7 sem nunca reclamar. O nome do projeto era ED 209. E foi exatamente neste ponto que eu me arrependi de ter entrado naquela sala de cinema.

Com aquele idade, os únicos robôs com os quais eu estava acostumado eram os Transformers. Eles eram legais, eles nos salvavam e até davam uma carona quando desse. Ao ver aquele robô de quase três metros com uma metralhadora em cada braço, várias coisas passaram na minha cabeça. Fiquei apaixonado por aquele efeito que anos mais tarde descobriria se tratar de animação stop-motion. Achei legal a idéia de ter um robozão daqueles andando pela minha cidade nos protegendo do crime. E, olha só, eles vão testar o robozão. Heh, o cara tá apontando uma arma pra ele. O robô responde todo imponente que ele tem vinte segundos pra jogar a arma no chão. Demais! O cara joga a arma no chão.

ED 209 responde que ele tem quinze segundos.

Ahn? Como assim, ele jogou a arma no chão! Dez segundos. Peraê, vocês não vão fazer nada? Oito segundos. Pára ele, pelo amor de Deus! Sete segundos. Não. É impossível. Cinco segundos. Ele vai ser salvo no último segundo. Quatro segundos. Deve ser brincadeira dos cientistas. Três segundos. Eu não quero ver. Dois segundos. Eu não quero escutar. Um segundo. Não não não não n…

“Você está violando diretamente o Código Penal 1-13, seção 9. Eu agora estou autorizado a usar a força física necessária.”

Naqueles vinte segundos eu perdi um pedaço da minha infância. Sério. Foi como se eu tivesse sido esbofeteado na cara. E não seria a última vez naqueles 102 minutos de filme. Afinal, uma coisa é você testemunhar um robô matar uma pessoa. Ele é um objeto, foi programado pra isso e, mesmo assim, é irreal. Não existe na realidade. Agora, você ver um grupo de pessoas covardemente assassinar um policial é outra coisa completamente diferente.

O jeito como Murphy é assassinado pela gangue de Boddicker é horrível. É uma cena forte que me deixou angustiado na época e que hoje em dia admiro pela coragem de Verhoeven em filmá-la. Primeiro, batem em sua perna para que ele se ajoelhe. Depois, atiram em sua mão direita com uma espingarda, desintegrando-a. Atiram em seu peito uma, duas, três, várias vezes. Atiram em seu ombro direito, arrancando o que sobrou do braço sem mão. Atiram em suas pernas. Terminam atirando em sua cabeça. E fazem tudo isso rindo como se estivessem fazendo a coisa mais divertida do mundo.

Não havia para onde escapar. Existia um monstro que tinha como finalidade proteger os cidadãos mas que por algum motivo os matava. Existia um monstro maior ainda e do pior tipo possível — o humano — que não tinha escrúpulos na hora de matar outras pessoas.

E o herói estava morto.

O resto do filme, como Murphy é ressuscitado e suas aventuras como RoboCop, realmente não importam para este artigo. Vale dizer que gosto de assistir este filme de vez em quando e de escutar a sensacional trilha sonora de Basil Poledouris (Conan, Caçada ao Outubro Vermelho). Considero “RoboCop” o primeiro filme que me mostrou o quanto o cinema pode brincar com os sentimentos das pessoas e, por isso, considero-o o filme que mais mexeu comigo, mesmo que tenha sido de uma forma negativa e prejudicial a saúde.

Ei, talvez isso tenha feito eu me tornar uma pessoa tão insensível assim. Droga. De volta ao psicólogo.

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