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Artigo adicionado em 23/03/2006, às 05:49

ESPÍRITOS – A MORTE ESTÁ AO SEU LADO: a idéia é boa. Mas só a idéia.
Nhé. Only nhé.

Por
Tutu Figurinhas


Assista ao trailer: Alta Resolução | Baixa Resolução
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Pelo MSN:
El Cid: Então, caro Tutu, velho de guerra. Me recordo de tê-lo ouvido falar sobre um possível retorno às fileiras do nosso site, correto?
Tutu Figurinhas: Justo, muito justo. Eu diria até que justíssimo. E…?
El Cid: Bem, caríssimo colunista, saiba que tenho uma missão tortuosa para você. A crítica de um daqueles filmes de terror orientais que você adora (!). Aliás, um que você já viu anteriormente, em um destes festivais de cinema independente lá na Terra do Tio Sam. Pelo menos, lembro de tê-lo ouvido comentar a respeito do dito cujo.
Tutu Figurinhas: Qual é a procedência do filme, só para eu ter uma idéia do que raios você está falando?
El Cid: Tailândia.
Tutu Figurinhas: Ai, cacete. Já sei do que você está falando.

Sim. Eu sabia. O cruel editor-chefe d’A ARCA só poderia estar se referindo a…Shutter (2004), que em terras brasilis ganhou o estranho título de Espíritos – A Morte Está Ao Seu Lado (odeio os famigerados subtítulos, mas devo dizer que este veio bem a calhar). Vi a película no ano passado, enquanto viajava gastando o dinheiro da rescisão do meu contrato com o jornal no qual trabalhava e evitava escrever a coluna que leva o meu nome na página principal deste periódico. Enfim, cést la vie. Aconteceu. E devo dizer que, ao afirmar que este “Espíritos” foi a maior bilheteria da Tailândia em 2004, só posso chegar a uma conclusão: os tailandeses também têm um péssimo gosto para o cinema.

Veja bem. “Espíritos” não chega a ser um filme de todo ruim. Na verdade, até arrisco a dizer que a dupla de cineastas Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom conseguiu criar uma trama de mote interessante e, graças a Deus, com uma boa dose de originalidade – o que já o distancia da recente praga de películas de terror orientais e seus subseqüentes remakes infernais. Vejamos a sinopse oficial: “tarde da noite numa estrada obscura, o casal Tun e Jane atropela, acidentalmente, uma misteriosa pedestre. Fugindo da cena do crime, eles retornam para as suas vidas normais em Bangkok… apenas para descobrir que não tem nada de ‘normal’ reservado para o seu futuro. Pesadelos começam a apavorar a vida de Jane enquanto Tun, que trabalha como fotógrafo, percebe que estranhas figuras espectrais aparecem em suas fotos. Conforme investigam o fenômeno, eles encontram outras fotografias com imagens sobrenaturais, ao mesmo tempo em que os melhores amigos de Tun começam a morrer, um por um. De volta ao lugar do acidente, o casal não descobre qualquer vestígio da moça. E logo fica claro que eles terão que resolver este mistério… antes que tenham que pagar com suas próprias vidas”.

Bacana, não? Esta história de espíritos aparecendo em fotos me dá calafrios – e acho que foi isso que me atraiu para a sala de cinema do Fantasia International Genre Film Festival, nos EUA. E é isso que tem mexido tanto com os brasileiros, que reagiram com curiosidade e empolgação ao tenebroso (no bom sentido, para quem gosta de filmes de terror) trailer exibido por aqui.

Mas, tendo em mãos o que poderia se transformar em uma inventiva e divertida (para não dizer assustadora) experiência cinematográfica, os diretores não conseguiram seguir em frente – e acabaram apelando para uma série de lugares-comuns absolutamente imbecis, prestando o pior dos tributos a filmes como O Grito e O Chamado. E segue-se uma sucessão de sustos bobos, fáceis, do tipo que se faz aumentando a trilha sonora de maneira abrupta e mostrando um rosto deformado saindo do meio do nada com coisa nenhuma. Além, é claro, da inevitável “monstruosa-menina-morta-fantasma-de-cabelos-molhados-em-busca-de-vingança-ou-algo-assim” da vez.

É muito triste constatar que “Espíritos” poderia ter sido bom, ao invés deste produto voltado diretamente para aqueles bandos de adolescentes debilóides que não param de gritar durante toda a sessão. Poderia ter sido um suspense de arrepiar a alma, para deixar qualquer um sem dormir direito à noite. Esta era a hora. Mas “Espíritos” virou um terrorzinho medíocre e meia-boca, clichê como já vimos aos borbotões nos últimos anos. As cenas sugestivas e sutis estão lá, bem no meio da ação, e podem ser claramente percebidas como um duo de diretores bem-intencionados tentando se redimir – vide a passagem do estúdio fotográfico, que usa um flash batendo insistentemente numa sala escura para grudar você na cadeira e que te faz dizer “Ôpa! Agora vai melhorar!”. E então, surge a “cena do banheiro”.

Por favor. Socorro. É algo abjeto, desnecessário, que tenta injetar algum humor no meio da tensão mas desanda em uma seqûência que me deu vontade de gritar um palavrão bem alto e me levantar indignado da cadeira, chutando qualquer cachorrinho fofo que eu visse pela frente. E que, cá entre nós, deve ser a gota d’água para muita gente que resolver ir ao cinema conferir qual é a destes “Espíritos”. Experiência própria.

Quer ver espíritos de verdade, maus feito pica-pau? Vá assistir Poltergeist. E não perca seu tempo com estes espíritos tailandeses. A tagline diz: “Tudo que eles querem é estar entre nós”. E eu complemento: “E tudo que nós queremos é ficar longe deles”.

Curiosidades:

– Na época em que rodaram “Espíritos”, Wongpoom e Pisanthanakun eram apenas estudantes de cinema. Pelo jeito, eles ainda vão ter que estudar muito;

– Os diretores já anunciaram seu novo projeto durante o Festival de Cinema de Pusan, na Coréia do Sul: “Alone”. Com orçamento de 2,5 milhões de dólares, a película começou a ser rodada em fevereiro;

– “Espíritos” vai ser refilmado em solo norte-americano. A refilmagem ficou a cargo da Regency Enterprises e tem como produtores Roy Lee e Doug Davison, da Vertigo Entertainment. Ambos já trabalharam em Água Negra e Lee foi produtor executivo de O Chamado;

Espíritos – A Morte Está Ao Seu Lado (Título Original: Shutter) / Ano: 2004 / Produção: Tailândia / Direção: Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom / Roteiro: Banjong Pisanthanakun e Sopon Sukdapisit / Elenco: Ananda Everingham, Natthaweeranuch Thongmee, Achita Sikamana, Unnop Chanpaibool / Duração: 89 minutos.

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