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Artigo adicionado em 12/05/2006, às 06:26

AH, ESTA TAL BILHETERIA…
Tentando entender (um pouco) como funciona o tal mercado de cinema.

Por
Tutu Figurinhas


Toda segunda-feira, você, usuário fiel e valente, entra aqui n’A ARCA e se depara com uma notinha detalhando como foi a performance dos principais lançamentos em território estadunidense em seus finais de semana de estréia. Falar sobre cifrões (e analisá-los, aliás) é lugar comum entre fanáticos pela sétima arte. Mas afinal de contas, qual é o papel das bilheterias no universo cinematográfico? Render muito dinheiro é sinônimo de qualidade? Ou liderar o box-office já garante a película no inferno dos cinéfilos? Vamos analisar juntos alguns aspectos da coisa para vocês entenderem (ou tentarem) como esta parada funciona.

1) CINEMA = NEGÓCIO

Antes de mais nada, é bom determinados fãs de cinema tirarem da cabeça esta visão “romântica” a respeito de seus diretores favoritos. Você não acorda cedo, toma seu café da manhã e vai trabalhar? Seu patrão não lhe cobra determinada performance em suas funções? E isso não significa que, no final do mês, o seu salário vai cair bonitinho na sua conta? Pois é. O cinema funciona mais ou menos da mesma forma. Seja no Brasil, nos Estados Unidos ou na Malásia, trabalhar com cinema significa, no final das contas, querer ver o sucesso do seu filme. Sucesso traduzido em verdinhas, quero dizer. Todo mundo tem contas para pagar no fim do mês, incluindo o Spielberg. E se um filme dele não vai bem nas bilheterias, acredite: o sujeito vai ter que se explicar para muita gente. Porque um filme hollywoodiano é um produto no qual muitas pessoas (e empresas) investem muito dinheiro. E ninguém gosta de ver a sua grana ir por água abaixo.
2) A MECÂNICA FORA DOS EUA

Também é necessário entender um pouco como a coisa se desenrola fora do “mundo mágico de Hollywood”. Para que as distribuidoras, sejam elas ligadas a uma multinacional (Warner, Columbia/Sony, Fox) ou independentes (Europa, Imagem, PlayArte), possam distribuir uma produção em seu respectivos territórios, é necessário um acordo de distribuição específico. Cada caso é estudado e negociado de cada vez. E os direitos autorais da produção, incluindo seu material de divulgação, são comprados. Tudo isso acaba influindo diretamente no cálculo do quanto foi gasto e do quanto o filme rendeu, no final das contas.

3) AH, É! E O LUCRO?

Esta é uma questão mais complicada do que aparenta, aqui ou nos EUA. Para um filme ser considerado rentável, um sucesso, é necessário que os resultados nas bilheterias excedam o que foi gasto com ele. Esta conclusão parece óbvia. Mas você realmente faz idéia dos gastos que circundam um filme? Eu respondo: eu acho que não.

O orçamento (ou budget) de um filme inclui todos os gastos na produção, é claro, desde a utilização dos equipamentos, aluguel de locações, manufatura dos efeitos especiais, construção de cenários, maquiagem e, obviamente os salários de todo mundo que trabalha ali – do Brad Pitt ao faxineiro do estúdio, passando pelo rapaz que cuida dos cabos das câmeras, pelo segurança do cachorrinho da Angelina Jolie e pelos músicos que participaram da gravação trilha incidental. Todo mundo recebe o seu, no fim das contas. Ah, quer usar uma determinada música na trilha? Vai gastar dinheiro para ter os direitos autorais da canção. E por aí a coisa segue.

Mas tem mais, rapaz. E o marketing em torno do filme? Merchandising, patrocínio, comerciais de TV, de rádio, de jornal, de revista, na internet, nos cinemas. Produção de pôsteres, de banners, de faixas, de displays, de panfletos, de outdoors… Tudo isso também entra na conta. E quanto maior é o filme, maiores serão os gastos com publicidade, pois se espera um resultado ainda maior dele. É uma verdadeira bola de neve.

Isso sem falar no intrincado processo de distribuição. Cada cópia digital ou em 35mm do filme, a ser enviada para uma determinada sala de cinema do país, custa dinheiro. Vai legendar ou dublar? $$$. Para legendar ou dublar, precisa traduzir os diálogos. $$$. E para transportar as cópias para todos os lugares, do Oiapoque ao Chuí? É necessária toda uma logística que…bem, você já sabe. Envolve mais e mais gastos do nosso vil metal.

É claro que o processo compreende um universo muito maior de etapas. Mas acho que você começou a entender que um filme não acontece num estalar de dedos.

4) QUALIDADE X QUANTIDADE

Pois bem, vamos analisar em paralelo dois casos recentes no Brasil: A Era do Gelo 2 e Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado. O primeiro é um verdadeiro rolo compressor: chegou com mais de 400 cópias (um número considerado gigantesco para o mercado brasileiro), já fez um público de mais de 5.000.000, ficou 5 semanas consecutivas na liderança do ranking e é, disparado, a maior bilheteria do ano.

Em comparação aos 5 milhões de espectadores de “Era do Gelo”, como é possível concluir que “Espíritos” é um sucesso tão grande de bilheteria quanto o filme de Carlos Saldanha – já que o terror vindo da Tailândia acumula, até então, mais de 800.000 espectadores? Muito simples, caro leitor. “Espíritos” é um filme muito mais barato. Com muito menos gastos envolvidos. Menos cópias, menos investimento em marketing. Uma produção modesta, que atingiu uma marca surpreendente, deixando para trás investimentos consideráveis de diversas majors como V de Vingança, Instinto Selvagem 2 e Anjos da Noite 2.

5) FATORES EXTERNOS

O que faz o sucesso de um filme, aliás? É um fator possível de explicar? No caso de “Espíritos”, por exemplo, analistas do mercado arriscam dizer que tamanha procura pelo filme se deve ao caráter mais, como direi, “espiritual” do povo brasileiro, sempre curioso a respeito de qualquer assunto envolvendo o mundo do sobrenatural. Como “Espíritos” aborda um tema real já registrado em diversas partes do mundo, os brazucas foram correndo para as salas de cinema. Outros dizem que o teaser exibido por aqui teria sido instigante o suficiente como peça de marketing e um dos principais motivos de seu sucesso. Seja como for, “Espíritos” conseguiu melhor performance de bilheteria aqui do que em seu país de origem, por exemplo.

O recente Missão: Impossível III é outro caso a ser analisado. Nos Estados Unidos, a nova aventura da franquia teve uma arrecadação abaixo do esperado – e o fenômeno com certeza se deve a uma rejeição generalizada do povo norte-americano à figura de Tom Cruise, envolvido em toda sorte de escândalos e manchetes de tablóides nos últimos meses, dando maior ênfase à cientologia e ao seu romance com Katie Holmes do que a sua própria carreira. Internacionalmente, no entanto, “M:I III” foi um sucesso fantástico. No Brasil, que registrou a 9ª maior média mundial de bilheteria para o filme, quebrou dois recordes: “M:I III” foi a melhor arrecadação de um filme de Cruise na história e também a melhor abertura de uma película da UIP no ano.

Os dois casos nos levam a concluir que, mais do que uma relação direta com a qualidade da produção, as bilheterias acabam sendo diretamente influenciadas por fatores externos – sejam eles uma boa (ou ruim) campanha de marketing, algum tipo inexplicável de hype (como no caso de “A Bruxa de Blair” ou do recente Snakes On A Plane)…Portanto, dizer, conforme alguns postantes d’A Voz dos Nerds gostam de alardear, que “tal filme é muito bom porque o público gostou”, é uma enorme bobagem. E nos remete ao mantra do nosso editor-chefe – que acabou se tornando bordão aqui n’A ARCA: “Se bilheteria fosse sinal de filme bom, ‘Titanic’ seria o melhor filme da história”.

Outro exemplo ainda mais próximo do universo nerd: o caso Batman Begins. Especificamente aqui no Brasil, o novo filme do Homem-Morcego teve bilheteria menor do que um de seus concorrentes diretos, Quarteto Fantástico. O motivo, de acordo com alguns analistas, teria sido um erro gritante da Warner brazuca com relação ao marketing. Entendido pelos brasileiros (leia-se: a enorme massa de pessoas que NÃO lê quadrinhos, mas vai ao cinema) como um personagem afeminado, visão na qual os filmes de Schumacher não ajudaram em nada, o Batman obscurecido pelos morcegos que se via nos pôsteres não ajudava a mudar a idéia que se tem sobre o herói. O título, mantido em inglês, também não dava a idéia de um “recomeço” para a franquia. E o Morcegão não teve destino muito feliz por aqui – considerando o item 3 deste artigo, já que muito se gastou em campanhas de marketing e distribuição aqui na terra de Cabral.

6) SÓ PARA FINALIZAR….

…e para você ir pensando no assunto, até maio de 2006, os cinco filmes com maior bilheteria nos Estados Unidos são “Era do Gelo 2”, “Armações do Amor”, “Plano Perfeito”, Todo Mundo em Pânico 4″ e “A Pantera Cor de Rosa”. Já no Brasil, o top 5 até então é formado por “Era do Gelo 2”, “Se Eu Fosse Você”, “As Loucuras de Dick & Jane”, “A Pantera Cor de Rosa” e “Didi – Caçador de Tesouros”.

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