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Artigo adicionado em 23/10/2006, às 12:03

CAVALEIROS DO ZODÍACO: O FILME – PRÓLOGO DO CÉU: evolução é tudo!
Se você estava acostumado com as velhas aventuras dos defensores de Atena, pense novamente.

Por
Thiago "El Cid" Cardim


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Se a única lembrança que vem à sua mente quando o assunto é Cavaleiros do Zodíaco são as intermináveis batalhas sangrentas da série animada que conquistou a molecada brasileira há mais de 10 anos (quem não se lembra da chocante cena do 1º episódio, quando Seiya arranca a orelha do bobalhão Cassius?), digamos que está na hora de rever os seus conceitos. Os fãs dos cinco persistentes cavaleiros de bronze do Santuário cresceram – e tudo indica que os roteiristas também. Ou quem sabe o criador da franquia, Masami Kurumada, esteja querendo preencher a história com temas um pouco mais adultos e uma abordagem não tão simplista. O que quer que tenha acontecido, no entanto, foi muito bem-vindo – e os resultados começam a aparecer justamente neste longa-metragem, Cavaleiros do Zodíaco: O Filme – Prólogo do Céu, lançado em 2004 no Japão.

Me lembro perfeitamente que eu, do alto dos meus 14/15 anos, me encantei com estes sagrados guerreiros de armadura e novamente fiquei a ficar grudado na mesma Rede Manchete que já tinha a minha audiência fiel desde a era Jaspion/Changeman e demais filhotes nipônicos da mesma Toei. O rebelde Ikki de Fênix tornou-se imediatamente o meu favorito. Mas foi um balde de água fria ver que a segunda e terceira temporadas, a saber, as sagas de Asgard e Poseidon, se traduziram em meras cópias dos capítulos finais da Fase Santuário, quando surgiram as 12 casas e seus respectivos doze Cavaleiros de Ouro, adotando o esquema “videogame” – derrota o vilão 1, encerra a fase, passa para o vilão 2, segue em frente, encara o vilão 3…e assim por diante. Acabei perdendo o interesse pelos Cavaleiros, e migrei para outros desenhos animados japoneses com temática mais diversa, roteiros mais trabalhados e personagens mais tridimensionais, como foi o caso de Yu Yu Hakusho e, mais tarde, da obra-prima Neon Genesis Evangelion.

No entanto, as coisas mudaram de figura assim que botei os olhos no “Prólogo do Céu” – que tem a sua parcela de pancadaria e golpes cheios de brilho e estardalhaço, é claro, mas que ganhou corpo consideravelmente no fator “trama”. A abordagem dos deuses e o questionamento sobre o seu papel e sua relação com os seres humanos – os deuses foram criados para serem venerados e estão acima dos mortais ou são apenas reflexos de nós mesmos, que precisam de nossa existência para continuar existindo? – deu uma dimensão ainda maior à Saori Kido, a encarnação terrena da deusa Atena, que pela primeira vez mostra o seu real poder e sai do papel de “donzela em perigo oficial”. Um lado mais filosófico sobre os motivos pelos quais Pégaso e seus parceiros realmente defendem Atena de todo e qualquer perigo é levantado – e bingo, olhem só, até mesmo Seiya, que apesar de ser o principal protagonista eu sempre considerei o mais chato do quinteto, ganha novos contornos em sua batalha pelo bem. Só é uma pena que nesta película a história esteja quase o tempo todo centrada nas figuras de Seiya e Saori, com uma pequena sub-trama envolvendo o passado da amazona de prata Marin de Águia (treinadora de Seiya) – deixando Shiryu de Dragão, Hyoga de Cisne, Shun de Andrômeda e o mal-humorado Ikki meio de lado na jogada.

Antes de tudo, cabe uma explicação aos navegantes: “Prólogo do Céu” é supostamente o primeiro filme de uma trilogia na qual os defensores de Atena vão encarar o restante dos deuses do panteão do Olimpo (sejamos sinceros: depois de batalhar Poseidon e Hades, eles não poderiam sair assim tão impunes da ira do resto da família). Cronologicamente, “Prólogo do Céu” se encaixa depois da Saga de Hades, cuja primeira parte chegou nos últimos meses direto em DVD por aqui e que, no Japão, nem chegou a ser concluída. Talvez por isso seja de se estranhar a primeira aparição de Seiya no filme (sem spoilers, fiquem tranqüilos) e a estranha armadura que surge em suas lembranças da batalha final contra Hades.

Assim sendo, acho que já dá para explicar mais ou menos a história: repentinamente, os cavaleiros celestiais (ou “anjos”, como são chamados em dados momentos) Tohma de Ícaro, Odisseu e Teseu surgem no refúgio de um combalido Seiya para acabar de uma vez por todas com ele, considerado um traidor por ter se voltado contra os todo-poderosos deuses. No entanto, Saori está no local tomando conta do servo/amigo/amado (pois é, a relação entre os dois continua bem confusa, uma tensão sexual que nunca chega às vias de fato) e acaba assustando os guerreiros – que preferem ajoelhar-se e esperar a chegada de sua mestra, a deusa Ártemis, irmã de Atena.

Quando as duas divindades finalmente se encaram frente a frente, Ártemis questiona Atena sobre sua postura benevolente perante os humanos e seu comando sem pulso firme do nosso planeta. Tentando poupar a vida de seus fiéis defensores de armadura, agora condenados à morte pelo panteão do Olimpo, Saori resolve fazer um acordo com a irmã: Ártemis vai deixar seus cavaleiros em paz e, em troca, recebe o báculo e o controle do nosso planeta. Apesar de desconfiada, a gélida deusa concorda, mas acaba levando Atena consigo para o Santuário, na Grécia, deixando Seiya sozinho em sua situação de penúria. Como era de se esperar, no entanto, o poderoso cosmo do cavaleiro de Pégaso faz com que ele se recupere rapidamente e parta para o Santuário em busca de Saori. Lá chegando, ele descobre o local completamente modificado, e acaba sendo recepcionado por Shina de Cobra, Jabu de Capricórnio e Ichi de Hidra…outrora seus aliados e, agora, surpreendentemente auto-declarados cavaleiros em nome da deusa Ártemis. Seiya vai fazer de tudo para descobrir o que está acontecendo e resgatar a sua amada Atena – contando, é claro, com a ajuda de Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki, que também estão dando um jeito de invadir o Santuário.

É fato que parte dos fãs brasileiros já teve acesso a este material, seja o original japonês, seja baixado pela internet ou por meio daquelas cópias “piratas” facilmente encontradas em eventos de anime. No entanto, além de representar uma nova oportunidade de ver os Cavaleiros em tela grande, “Prólogo do Céu” traz dois elementos inéditos que merecem ser conferidos – a começar pela dublagem nacional, que além das vozes já conhecidas, traz as presenças dos estreantes Spencer Toth (Teseu) e Thiago Zambrano (Tohma), de Wendel Bezerra (Bob Esponja, Goku em “Dragon Ball Z”) como Odisseu, Sílvio Giraldi (Sesshomaru em “Inuyasha”) como Apolo e a excelente Cecília Lemes (a Chiquinha do “Chaves”) como a deusa Ártemis.

O segundo motivo, é claro, vem nos créditos finais – com a voz de Edu Falaschi, vocalista do Angra, interpretando a versão em português de Never, dos japoneses do Make-Up. Reparem como, apesar de cantar na nossa língua pátria, o cantor deu um tom “ajaponesado” à sua interpretação, como é possível perceber especialmente quando ele diz a palavra “ferido”. 🙂

Conversando com alguns fãs, digamos, mais fanáticos por “Cavaleiros” do que eu, percebi que alguns destacavam possíveis furos e mais furos de cronologia no roteiro – mas que, para mim, passaram completamente desapercebidos. Alguns reclamaram especialmente da cena final entre Seiya e Saori, taxada como confusa – mas que, para mim, é só um link com o próximo filme, uma espécie de provocação do autor. E depois dos créditos, é possível ainda ver rapidamente Seiya trajando uma armadura absolutamente inédita e que deve ser destaque na película seguinte.

Pentelhações à parte, tudo que sei é que fazia muito tempo que não via uma aventura dos Cavaleiros que tenha me atraído tanto. Fica a esperança que este filme seja mesmo um “prólogo”, um início de uma nova fase para a franquia animada, muito mais inteligente e tão marcante quanto aquela que, há mais de dez anos, me colocava religiosamente sentado na frente da televisão todo final de tarde…

::: CURIOSIDADES :::

– O Brasil foi o primeiro país do mundo, depois do Japão, a exibir “Prólogo do Céu” em tela grande;

– Os Cavaleiros do Zodíaco também estrelaram outros longas: Saint Seiya Gekijouban (“Saint Seiya, O Santo Guerreiro” ou “A Batalha de Éris”, lançado direto para VHS no Brasil); Kamigami No Atsuki Tatakai (“A Grande Batalha dos Deuses”, lançado direto para VHS); Saint Seiya, Shinku no Shônen Densetsu (“A Lenda dos Defensores de Atena” ou “Cavaleiros do Zodíaco – O Filme”, lançado nos cinemas brasileiros) e Saint Seiya, Saishu Seisen No Senshi Tachi (“A Batalha do Armagedon” ou “A Última Batalha”, lançado direto para VHS). Nenhum dos quatro, no entanto, tem relação direta ou se encaixa na cronologia dos animes ou dos mangás, apesar das muitas citações e referências.

Os Cavaleiros do Zodíaco: O Filme – Prólogo do Céu (Título original: Saint Seiya: Tenkai-hen Josô – Overture) / Ano: 2004 / Produção: Japão / Direção: Shigeyasu Yamauchi / Elenco (Dubladores Nacionais): Hermes Baroli, Letícia Quinto, Élcio Sodré, Francisco Bretas, Ulisses Bezerra, Leonardo Camilo, Spencer Toth, Thiago Zambrano, Wendel Bezerra, Sílvio Giraldi, Cecília Lemes / Duração: 84 minutos.

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