A ARCA - A arte em ser do contra!
 
Menu du jour! Tutu Figurinhas: o nerd mais bonito e inteligente dessas paragens destila seu veneno! GIBI: Histórias em Quadrinhos, Graphics Novels... é, aquelas revistinhas da Mônica, isso mesmo! PIPOCA: Cinema na veia! De Hollywood a Festival de Berlim, com uma parada em Nova Jérsei! RPG: os jogos de interpretação que, na boa, não matam ninguém! ACETATO: Desenhos animados, computação gráfica... É Disney, Miyazaki e muito mais! SOFÁ: É da telinha que eu estou falando! Séries de TV, documentários... e Roberto Marinho não está morto, viu? CARTUCHO: Videogames e jogos de computador e fliperamas e mini-games e... TRECOS: Brinquedos colecionáveis e toda tranqueira relacionada! Tem até chiclete aqui! RADIOLA: música para estapear os tímpanos! Mais informações sobre aqueles que fazem A Arca Dê aquela força para nós d´A Arca ajudando a divulgar o site!
Artigo adicionado em 07/11/2006, às 12:42

AMIGAS COM DINHEIRO: bacana, mas bem longe de sua proposta
Um filme de mulheres… onde um homem é o que se destaca mais?

Por
Leandro "Zarko" Fernandes


:: Trailer Oficial: Alta | Média | Baixa | HD | iPod
:: Visite o site oficial

Que a notória senhora Jennifer Aniston, aquela que costumava viver a amalucada consumidora compulsiva Rachel Green de “Friends”, anda seguindo os caminhos de Jim Carrey e se aventurando em gêneros cada vez mais distantes de seu berço, a comédia, todo mundo já sabe. E assim como o prestigiado ator canadense, Aniston tem se saído muito bem em suas tentativas de fugir do rótulo imposto pelo já lendário seriado. Longas-metragens como o ótimo drama “Por um Sentido na Vida” e o mediano suspense Fora de Rumo provam que a atriz tem talento suficiente para se manter em “novos horizontes”, digamos assim. Amigas com Dinheiro (Friends With Money, 2006), produção independente estrelada por Aniston, é nada menos do que um novo capítulo nesta história.

Ok, “Amigas com Dinheiro” não é um dramalhão pesado, daqueles que faz qualquer um exclamar “oh meu Deus, como a vida é terrivelmente injusta” antes de se atirar na frente de um ônibus que esteja ocasionalmente passando em frente ao cinema (!). A fita, que marca a terceira aventura da escritora Nicole Holofcener na direção, é mais um daqueles longas indies bem ao estilo dos primeiros filmes de Edward Burns, que mesclam drama e comédia e resultam em um trabalho dramático em sua essência, mas cheio de tiradas cômicas. Um drama “levinho”, na falta de uma expressão melhor; como tantos que a atriz e ex do Brad Pitt (burro!!!) possui em seu currículo. Ainda assim, não dá pra negar que é no mínimo esquisito ver Jennifer Aniston em um drama.

Mais esquisito ainda é o papel da dita cuja: “Amigas com Dinheiro” é basicamente sobre um grupinho de quatro grandes amigas – a saber, Frannie (Joan Cusack), Christine (Catherine Keener), Jane (Frances McDormand) e Olivia (Aniston). Das quatro, três são ricas e extremamente bem-sucedidas, ao menos aparentemente. Enquanto Jane e seu marido são designers de moda de extremo sucesso, Christine escreve livros em parceria com seu cônjuge. Já Frannie é uma dona-de-casa… muito, mas muito rica. Olivia é a única deslocada. Foi professora primária num passado pouco distante e, de repente, jogou tudo para o alto e passou a viver de forma bem precária, quase sem dindim, sobrevivendo de um bico aqui e outro ali como faxineira.

Pois é, alguém aí consegue imaginar Jennifer Aniston como uma diarista totalmente desglamourizada e despida de beleza?

Continuando, Olivia é notadamente a que, das quatro, está mais “fô-dê-da” na vida; sem namorado, totalmente só a ponto de rastejar por uma antiga paixão, um homem casado. O problema maior, claro, é a falta de dinheiro – mas até que ela se vira com os bicos que faz em casas de dondocas e com as amostras de loções hidratantes que vive afanando de lojas de cosméticos (!). Mas Olivia não é a ÚNICA a ter pepinos para resolver… Catherine, por exemplo, não consegue entender por qual razão seu marido David (Jason Isaacs) é tão gelado, e suas constantes discussões estão a um ponto de destruir o casamento de vez. E Jane é aparentemente feliz no matrimônio com o moderninho Aaron (Simon McBurney), mas atualmente atravessa uma fase deveras significativa chamada menopausa (ui!), o que a deixou totalmente intolerante a tudo, tudo meeeesmo, e com a mania pavorosa de… nunca lavar o cabelo (!?!?). Mas será que Jane é tãããão feliz assim?

A única que parece ter um pouco de paz e tranqüilidade no conforto do lar é Frannie, embora Matt (Greg Germann), seu esposo, vez por outra insista em criticar suas futilidades típicas de “mulher com muita grana e muito tempo livre”. Fora isto, os dois se dão bem. Ou não? Bem, talvez sim. Mas talvez não… ou talvez sim… 😀

Enfim, quando se lê esta sinopse, o que se imagina é um draminha bem Desperate Housewives, lotado de diálogos espirituosos e protagonistas esquisitas, certo? Pois é, e é exatamente o que se encontra em “Amigas com Dinheiro”. O que se vê na tela é somente o quarteto de amigas tentando lidar com seus problemas, cada uma a seu modo, e tentando como conseqüência manter a amizade intacta. O enredo, escrito também por Nicole Holofcener, conta esta história apoiando-se visivelmente em elementos típicos das filmografias de Pedro Almodóvar e Woody Allen – o foco no universo feminino, a predileção em centrar a ação em diálogos, personagens altamente surreais mas tão tridimensionais a ponto de parecer reais.

Aí é que reside a questão: “Amigas com Dinheiro” rende alguns ótimos momentos, mas num saldo geral não atinge seu objetivo de retratar o mundo das mulheres com fidelidade. Embora trabalhe com situações bastante reais, como a do casal formado por Catherine Keener e Jason Isaacs, que dilue-se por conta da falta de comunicação, o tratamento dado pelo roteiro e pela direção de Holofcener não tem os pés tão fincados no chão – culpa de uma ou outra situação mais surreal, como por exemplo o péssimo “final feliz” da fita, que não permite que o espectador se identifique com o que é mostrado na tela. Na boa, o final parece final de novela da Globo! 😛

Se há momentos fracos durante a projeção, entretanto, “Amigas com Dinheiro” também é cheio de boas sacadas. As seqüências protagonizadas por Olivia, por exemplo, são tão carregadas de melancolia que emocionam com facilidade. É de cortar o coração ver a personagem correndo atrás do cara casado, ou as expressões tristes de Olivia em meio às reuniões com as amigas ricas – e a atuação inspirada e nem um pouco exagerada de Jennifer Aniston contribui para que o público simpatize de imediato com a personagem. Uma cena em particular, a que Olivia é jogada a escanteio pelo personal trainer Mike (Scott Caan) logo em seu primeiro encontro, chega a doer. Afe, e alguém é louco de deixar Jennifer Aniston no cantinho??? 😀

Embora Aniston seja assumidamente a “protagonista” da história e as outras atrizes estejam igualmente competentes em cena, o destaque é mesmo para o hilário casal formado por Frances McDormand (a queridinha dos Irmãos Coen e também do Benício, ótima como a estourada Jane) e pelo excelente inglês Simon McBurney – engraçado como McBurney, no papel do sujeito que todos pensam ser gay, rouba TODAS as cenas… e é um personagem masculino em um filme focado em mulheres. Vai entender. A única que não tem muita chance é Joan Cusack, que infelizmente ficou com a personagem mais fraca e menos interessante da história. Em alguns momentos, até esquecemos que ela está lá. E olhe que Cusack é tão fodáxima quanto seu irmão John! Fazer o quê?

Ao final, “Amigas com Dinheiro” é um filme que até vale uma conferida, mas não por sua pretensão inicial (que, uma pena, não foi atingida, não pelo menos como poderia ter sido com um pouco mais de tratamento e maturidade da direção), e sim pelos divertidos e melancólicos trabalhos dos atores. E também pela curiosidade de ver Jennifer Aniston se virando em um papel tão complexo – embora a produção em seu saldo geral não ajude taaaaanto assim… Mas se é pra admirar os dotes dramáticos da Rachel Green, é preferível (esta palavra existe?) correr na locadora e alugar “Por um Sentido na Vida”, que é muuuito mais contundente e desafiador. Por outro lado, se você quer ver OUTROS dotes dela, fique com este mesmo! Afinal, não é sempre que podemos ver a Jennifer Aniston em um minúsculo traje de empregadinha-sapeca… hóhóhó! 😛

:: ALGUMAS CURIOSIDADES

– “Amigas com Dinheiro” foi o longa-metragem de abertura do conceituado Festival de Sundance de 2006. A fita também ganhou o prêmio máximo do Women in Film Crystal Awards, ciclo de cinema que premia trabalhos dirigidos por mulheres.

– Para viver seu papel no longa, o ator Simon McBurney precisou voar de Los Angeles a Londres e vice-versa pelo menos cinco vezes durante a produção. O caso é que McBurney dividiu sua agenda entre as filmagens da fita e a peça de teatro que atua e dirige no Royal Theatre. O trabalhão todo valeu a pena, já que seu personagem é o melhor do filme. 😀

– A seqüência ambientada no Farmer’s Market foi rodada pelo método carinhosamente apelidado de guerrilla style, ou seja, os atores filmaram em um dia normal, no meio do público. As pessoas que aparecem em cena fazendo compras ao fundo eram mesmo freqüentadores do shopping que estavam ali por acaso, e muitos sequer sabiam que poderiam cruzar com Frances McDormand e Jennifer Aniston. O único problema na hora de rodar vinha dos paparazzis que perseguiam Jennifer. E eu não tenho a maldita sorte de estar em um shopping passeando e trombar com ela. Damn.

– A citação a “Desperate Housewives” é creditada ao senhor Benício, aquele que não entende nada de Johnny Cash (herege!), que também estava presente na sessão de imprensa de “Amigas com Dinheiro” e que babou o tempo todo… na Frances McDormand. E olha que ela nem tem cabelo de Joãozinho.

Amigas com Dinheiro (Título original: Friends With Money) / Ano: 2006 / Produção: Estados Unidos / Direção: Nicole Holofcener / Roteiro: Nicole Holofcener / Elenco: Jennifer Aniston, Frances McDormand, Catherine Keener, Joan Cusack, Jason Isaacs, Simon McBurney, Scott Caan, Greg Germann, Bob Stephenson, Ty Burrell / Duração: 88 minutos.

:: CINE PARADISO NA VIDA REAL
:: PEQUENA MISS SUNSHINE: uma crítica atrasada, mas necessária
:: VOLVER: o retorno de Almodovar à comédia
:: OS INFILTRADOS: definitivamente o melhor filme do ano!
:: AMIGAS COM DINHEIRO: bacana, mas bem longe de sua proposta
:: O GRANDE TRUQUE: um ótimo filme, curto e grosso.
:: JOGOS MORTAIS 3: melhor que o segundo, pior que o primeiro...
:: O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS: sutileza é a palavra de ordem
:: CAVALEIROS DO ZODÍACO: O FILME - PRÓLOGO DO CÉU: evolução é tudo!
:: FILMES DA 30.ª MOSTRA QUE VOCÊ NÃO PODE PERDER
>> Mais materias AQUI!

Quem Somos | Ajude a Divulgar A ARCA!
A ARCA © 2001 - 2007 | 2014