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Artigo adicionado em 13/11/2006, às 11:30

Review ::: Show ::: LIVE ‘N’ LOUDER ROCK FEST (Anhembi – São Paulo/SP – 14/11/2006)
Uma orgia metálica!

Por
Thiago "El Cid" Cardim


Um festival cheio de altos e baixos – com mais altos do que baixos, é bem verdade. Só assim é possível definir a segunda edição do Live ‘n’ Louder Rock Fest, que entrou de vez para o calendário metálico nacional com a promessa de suprir o espaço deixado por eventos saudosos como o Monsters of Rock. Como era de se esperar, o headliner David Lee Roth fez uma apresentação impecável, que tirou lágrimas dos olhos dos mais velhos ao desfilar clássicos absolutos do Van Halen. Mas os problemas no palco também foram visíveis – e a principal vítima foram os alemães do Primal Fear.

Graças a um problema de divergência de informações – os ingressos informavam que a primeira atração subiria ao palco às 12h, enquanto a gravação oficial do serviço telefônico do LnL afirmava que seria às 13h30 – chegamos atrasados ao Anhembi neste sábado (14/11), perdendo as apresentações do Massacration e do Mindflow, mas bem à tempo de conferir todo o poderio sonoro dos suíços do Gotthard. Em um palco definitivamente melhor posicionado do que aquele que recebeu Judas Priest e Whitesnake no mesmo lugar, a banda capitaneada pelo ótimo vocalista Steve Lee – uma mistura de David Coverdale e Eric Martin (Mr.Big) – destilou hard rock do jeito que tem que ser: energético, gostoso, divertido e daquele tipo que não dá para parar de bater o pezinho junto. Abriram com All We Are e mostraram outras boas canções como Dream On, Top Of The World, Lift U Up, Anytime, Anywhere e ainda um cover para Hush (Deep Purple). Assim como o The 69 Eyes no ano anterior, deixaram uma ótima impressão para o público que não conhecia o seu trabalho.

Sem muita demora, foi a vez do Primal Fear dar o ar de sua graça e mostrar, ao vivo, as faixas do novo disco Seven Seals. Mas os problemas técnicos, que já começaram a dar pequenos sinais de vida no show do Gotthard, tomaram conta de vez quando Mat Sinner e sua trupe subiram ao palco. Começando seu set com Demons & Angels e já emendando com a ótima Rollercoaster, os germânicos sofreram com o som dos instrumentos, muito embolado, e com o baixo volume do vocal de Ralph Scheepers. Mesmo assim, a galera respondeu positivamente, agitando muito e gritando o nome da banda entusiasticamente. Depois da clássica Nuclear Fire, foi a vez da faixa título Seven Seals, que deu uma desacelerada no ritmo da apresentação e evidenciou ainda mais os problemas do som. Visivelmente irritado e se desculpando com a platéia, Scheepers reclamou muito antes de chamar ao palco seus dois convidados especiais: o vocalista Renato Tribuzy e o guitarrista Roy Z (com um figurino a lá Bono Vox, de chapéu e óculos escuros). Depois de tocarem juntos Final Embrace, o som continuou sem qualquer perspectiva de melhora. E, de maneira absolutamente abrupta, Scheepers agradeceu de maneira seca e banda simplesmente se retirou do palco, sem quaisquer explicações. Um episódio triste na excelente relação do Primal Fear com o público tupiniquim.

O sol não dava trégua à legião de headbangers vestidos de preto da cabeça aos pés – mas ninguém parecia estar dando muita bola. Pouco depois do fiasco com o Primal Fear, os holandeses do After Forever deram as caras para tentar redimir o acontecido. Antes mesmo que o grupo começasse a tocar, os marmanjos já estavam de queixo caído com o figurino da sexy vocalista Floor Jansen, de calça de couro e com o umbiguinho à mostra. Desta vez, o som funcionou relativamente bem – e o sexteto impressionou quem achava que a presença da banda seria uma espécie de “banho de água fria” no ritmo acelerado do festival. Nada disso. Com peso e melodia na medida certa, eles apresentaram canções do novo disco Remagine como Being Everyone e Face Your Demons (com direito a chifrinhos na cabeça da vocalista e tudo mais), e ainda mandaram ver clássicos como Digital Deceit, Forlorn Hope e, atendendo a um pedido dos fãs, Emphasis, do disco Decipher (2001). Só ficou faltando mesmo o ótimo cover para The Evil That Men Do, do Iron Maiden.

De uma musa metálica para outra, Floor deixou o palco do LnL para ser substituída pela sensacional “metal queen” Doro Pesch – que já entrou quebrando tudo, empolgadíssima por finalmente estar fazendo sua primeira apresentação no Brasil. Surpreendentemente pesada em seu metal tradicional, a alemã botou para bater cabeça até a molecada mais nova que nem fazia idéia de quem se tratava. A moça (e sua banda pra lá de competente) mesclou clássicos de sua época à frente do Warlock, como True as Steel e Metal Racer, com novidades como a recente Above The Ashes. No meio da clássica Burning The Witches, o susto: o microfone falhou e voz dela desapareceu! Mesmo assim, Doro não parou um minuto e, pouco antes do final da música, o som da cantora voltou e todos ficamos em paz. Para botar ainda mais fogo no público, ela ainda anunciou um cover da banda que era sua “razão de viver”, o Judas Priest. Tratava-se de Breaking The Law. O Anhembi acabou ficando pequeno para tantas vozes cantando juntas. Depois disso, só mesmo o refrão absolutamente grudento de All We Are para finalizar um show que não decepcionou aqueles que esperaram mais de suas décadas para vê-la.

“Nós trouxemos a chuva conosco de Seattle”, brincou o vocalista Warrel Dane, do quarteto norte-americano Nevermore, assim que subiu ao palco do LnL – surpreendentemente sem o seu fiel chapéu de caubói. A garoa fina não persistiu por muito tempo, mas a paulada do grupo sim, que seguiu do início ao fim com uma agressividade poderosa e verdadeira, melódica mas com fortes doses do metal oitentista da tradição Metallica/Megadeth/Exodus e afins. O som do microfone de Dane também estava inconstante, mas o sujeito estava alucinado e não parecia ligar para isso: ficava saltando de um lado para o outro todo o tempo, bangeando e comandando pauladas como Narcosynthesis, a recente This Godless Endeavor, a “balada” sombria The Heart Collector e a ótima (e politizada) Inside Four Walls.

Sem dar tempo para respirar, eis que sobem ao palco os brazucas do Sepultura, apresentando seu novo baterista, Jean Dolabella (ex-Diesel/Udora). E os puristas tiveram que engolir em seco porque, além do cara ser um músico à altura de Iggor Cavalera, a banda toda estava tão entrosada que apresentou um setlist que foi uma verdadeira paulada. Aliás, vale aqui um parênteses: não costumo ouvir o Sepultura no discman a caminho do trabalho, por exemplo. Mas é necessário admitir, com ou sem a presença da família Cavalera, que uma apresentação dos caras é sempre uma experiência daquelas, uma porrada da qual não dá para escapar e na qual é impossível ficar sem gritar junto. Além das novas Convicted in Life (que funciona muito bem ao vivo), Dark Wood of Error, False, Ostia, Buried Words e Crown & Milter, o quarteto quebrou tudo como clássicos de diversas fases de sua carreira: Refuse/Resist, Dead Embryonic Cells, Choke, Troops of Doom, Beneath The Remains, Slave New World, Territory, Arise e, no bis, Come Back Alive e Roots Bloody Roots. Deixou de cabelos em pé muito fã que estava esperando o David Lee Roth…. 🙂

Com o cancelamento do Saxon, a próxima banda seria o que o programa oficial do LnL chamava de “atração surpresa” – mas que muita gente já apostava no que seria e que acabou se confirmando muitas horas antes, entre os nomes das atrações listadas nas camisetas oficiais vendidas no próprio evento. Acertou quem colocou suas fichas em André Matos. Com o fim anunciado do Shaaman no dia anterior, o vocalista apresentou sua nova banda solo – formada pelos amigos Luis Mariutti (baixo), Hugo Mariutti (guitarra) e Fábio Ribeiro (teclado) e com a adição de dois ótimos novos músicos: o baterista Rafael Rosa (segundo colocado no teste para integrar o Angra e que vinha defendendo as baquetas do União) e o guitarrista André Hernandez (que foi guitarrista do Angra nos primórdios, antes da entrada de Kiko Loureiro). Com dois guitarristas, o som ficou ainda mais redondo e pesado – como provou a primeira canção da noite, inédita. Não poderia faltar, é claro, material do Shaaman (“Distant Thunder” e a baladinha “Fairy Tale”, cantada em uníssono) e do Angra (“Nothing To Say” e a inevitável “Carry On”, com direito a “Unfinished Allegro” e tudo) – mas a surpresa mesmo ficou por conta do momento nostalgia total com Living For The Night, do Viper, que teve direito até à batalha de guitarras introdutória com riffs de Master of Puppets, do Metallica. É claro que muita gente reclamou, pedindo pelo Saxon ou questionando a sexualidade do André – mas é fato que o frontman está de volta com força total.

Então, seguiu-se um embaço considerável antes da entrada dos finlandeses do Stratovarius, com uma dura considerável dos roadies da banda na equipe de produção do festival em microfone aberto, para todo mundo ouvir. Quando finalmente Timo Tolkki e seu grupo adentraram o palco tocando Hunting High And Low, o grande receio era saber se as músicas apresentadas seriam diferentes daquelas que os fãs já tinham visto no ano passado, no Olympia. E para a surpresa geral, o que tivemos foi um setlist consideravelmente distinto – e sem uma única música do novo disco, auto-intitulado. Estavam lá clássicos comoSpeed of Light, Father Time, Kiss of Judas, Against The Wind, Paradise, a deliciosa Forever (com uma introdução de Tolkki tocando Betthoveen) e, obviamente, Black Diamond. Mas quem poderia esperar, por exemplo, que em uma noite inspiradíssima, a banda fosse tocar Phoenix (do álbum “Infinite”)? Ou mesmo Million Lightyears Away – é, aquela mesma com a introdução similar a de uma certa canção de Roberto Carlos? Ou quem sabe a bela Will My Soul Ever Rest in Peace (do “Intermission”)? Para completar, uma faixa inédita em palcos brasileiros: Abyss of Your Eyes – que é do “Vision”, já que o próprio Kotipelto não sabia muito bem em que disco a canção tinha saído… No final das contas, um show dos mais incríveis que a banda fez por aqui, com um entrosamento e uma energia de dar gosto.

O público já estava visivelmente cansado – e o relógio já indicava quase 1 da manhã – quando a atração principal deu as caras, renovando imediatamente as energias de todos: David Lee Roth. Ele pode estar mais velho, do alto de seus recém-completados 52 anos. Pode já não dar os mesmos pulinhos de antes. Pode estar até de cabelos curtos. Mas…diabos…é ele. Um performer sem igual, um showman na melhor concepção da palavra, uma voz ainda em altíssima octanagem e uma sucessão de hits que espalharam magia por todo o Anhembi. Mr.Diamond Dave interage com o público, conta piadas, brinca com as câmeras do telão, provoca seus próprios músicos, rebola, mostra a língua, faz caretas…e, por cerca de uma hora e meia, nos levou a uma inesquecível viagem no tempo. Com uma competente banda formada pelos guitarristas Brian Young (Jeff Scott Soto, Human Clay) e Toshi Hiketa (The Hideous Sun Demons), pelo baixista Todd Jensen (Hardline, Ozzy Osbourne, Alice Cooper) e pelo ótimo baterista Jimmy DeGrasso (Megadeth, Ozzy Osbourne, Alice Cooper), que nada deixa a dever ao Van Halen original, Roth mesclou sucessos de seu lendário grupo com diversos clássicos de sua trajetória solo. A performance já começou levando o público ao delírio, com Hot For The Teacher, Meanstreet e o cover para California Girls, do Beach Boys.

Ao invés dos óbvios “olá”, “tudo bem”, “amo vocês”, “obrigado”, “fantástico” e afins que outros rock stars aprendem a falar em português, Roth realmente sabe falar a nossa língua. De um jeito ainda meio enrolado e macarrônico, é verdade. Mas sabe. “Olha quanta gente aqui hoje”, disse o sorridente cantor, saudando uma galera que não parava de aplaudi-lo. “Vamos comigo, brasileiros!”. A metralhadora de sucessos não parou, cada um devidamente reconhecido pelas milhares de pessoas já ao primeiro riff: Just Like Paradise, Runnin’ With The Devil, Beautiful Girls (com direito até a beijinho no final), Somebody Get Me A Doctor, Jamie’s Crying, Cradle Will Rock, Unchained, Everybody Wants Some! e até o cover dos Kinks, You Really Got Me (e seu “you sexy motherfocker”), que foi interrompido para a hilária apresentação dos músicos.

A “sinatriana” Just a Gigolo começou com uma baladinha, mas logo ganhou corpo e fez todo mundo dançar junto, com os backing vocals do restante da banda suprindo suficientemente a falta dos metais. Com um inesperado improviso blueseiro que nos fez pensar até no show do mestre B.B.King, em dezembro, Roth introduziu Panamá – e o blues voltou à baila com Ice Cream Man. “Cara, onde eu tô? Porra, eu tô no show do David Lee Roth, ele acabou de cantar ‘Dance The Night Away’, do Van Halen, lembra?”, gritava emocionado um senhor com seus quarenta anos ao telefone, logo depois de se esgoelar e requebrar ao som de mais um sucesso. E para encerrar a festa, é claro, Ain’t Talking ‘Bout Love, acompanhada a plenos pulmões pelos milhares de presentes.

Mas tudo bem, não vou conseguir enganar você durante muito tempo, você sabe que tivemos um bis. E você sabe muito bem que “bis” foi este, que música poderia encerrar este espetáculo colocando todo mundo para pular. Bingo: Jump. E apesar de não dar o pulinho típico do clipe da música (aquele mesmo copiado por Tobias Sammet no encarte de “Hellfire Club”), Dave deu um chute no ar que eu, com meus 27 anos, jamais conseguiria dar. O refrão, é claro, todo mundo sabia de olhos fechados.

Treze horas de shows depois, com os pés me matando, o estômago faminto e as costas pedindo arrêgo, a lembrança do histórico retorno de Roth ao nosso país acabou deixando de lado os erros e destacando os muitos acertos de uma iniciativa ousada para dar ainda mais visibilidade ao heavy metal, ao hard rock e a toda música pesada no combalido e hermético mercado musical nacional. E que venha o terceiro Live ‘n’ Louder (Mötley Crüe? Europe? Twisted Sister?) – de preferência, com uma nova chance para o Primal Fear mostrar todo o seu real potencial.

Agradecimentos: Carlos Eduardo Corrales ( www.delfos.art.br)

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