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Artigo adicionado em 18/11/2002, às 09:57

A ‘ANIMEZAÇÃO’ DA CULTURA POP
É hora de pararem de ‘pasteurizar’ a excelente produção cultural japonesa

Por
Tutu Figurinhas


Assim como eu, sei que você, caro internauta, também é nerd de carteirinha e um bom fã de histórias em quadrinhos, desenhos animados e produtos afins. Portanto, basta apenas você dar uma boa olhada nos últimos lançamentos ao seu redor para entender o espírito desta nova coluna que vos trago em mais um rompante de revolta. Afinal, sou só eu… ou você também já está de saco cheio desta mania de quererem transformar tudo em mangá/anime???

Olha só: tenho mais de 30 anos nas costas (a idade verdadeira eu não revelo, of course, para não dar ainda mais munição aos meus inimigos). E como esta história de ser fã-nático é coisa que vem de berço, logo cedo me apaixonei pelas HQs e por aqueles desenhos maravilhosos que fizeram a minha infância na televisão. Graças a um amigo de meu pai que vivia no Japão, além dos tradicionais heróis anabolizados americanos, conheci o outro lado do planeta, o mundo de Speed Racer, A Princesa e o Cavaleiro, Kimba (o Leão Branco), Astro Boy, Patrulha Estelar (ou Yamato, para os íntimos), Ultraman e família Ultra, Savamur (lembra dele?), Fantomas e, mais tarde, conheci a minha grande paixão: Zillion!

Revelado mais um trecho de minha nebulosa história, me vejo no direito de ficar indignado com o tratamento que a deliciosa cultura dos mangás (quadrinhos japoneses) e dos animes (desenhos animados japoneses) vem recebendo nos últimos tempos. Aliás, especificamente no decorrer deste último ano, quando desenhar personagens de olhos esbugalhados (como os orientais já fazem há décadas) virou um verdadeiro chavão. Por algum motivo, a mídia insiste em dizer que os quadrinhos americanos estão em crise e que agora é a hora do mangá. Quer dizer que quadrinho japonês é a nova ‘modinha’ do momento? NEM FODENDO!

‘Moda’ é, por definição, algo perecível. E o que as pessoas precisam entender é que, ao redor do mundo, os mangás e animes são cultuados há muuuuuuuuito tempo, exatamente por ser uma produção de altíssima qualidade, muito acima da média norte-americana. Vamos tomar o Brasil como exemplo. Uma verdadeira legião de fãs já importava e trocava, por meio dos fansubbers, toda uma série de fitas de animes que nunca sequer se imaginaria que um dia poderiam ser exibidos aqui no Brasil. E isso muito antes da explosão de Dragon Ball Z, Pokémon ou mesmo dos ancestrais Cavaleiros do Zodíaco.

Realmente é fato que a indústria cultural americana passa por uma grave crise de criatividade. O cinema hollywoodiano, por exemplo, investe em sequências ou remakes de grandes sucessos como nunca. E editoras como a Marvel e a DC finalmente tomaram vergonha na cara e resolveram reinventar seus personagens, dando-lhes um tom mais adulto que mesmo um público mais juvenil já vinha pedindo há bastante tempo. No meio desta crise, os novos leitores acabaram procurando novo material, devidamente apresentado pelos fãs mais velhacos. E foi assim que o mangá e os animes conquistaram uma nova geração de aficcionados, que até então só liam e tinham acesso às aventuras do Homem-Aranha, do Batman e de toda esta patota multi-colorida.

Se tivéssemos parado por aí, estaria ótimo – com uma nova gama de malucos apaixonada pelo carisma dos personagens japoneses. Mas é aí que está o pepino… Em busca de ‘novos’ públicos, as grandes editoras americanas resolveram se modernizar e investir na nova ‘moda’ que a ‘molecadinha’ tanto adora: os mangás. Como se os fiéis e persistentes fãs do gênero tivessem surgido de uma hora para outra… E foi um tal de contratar artistas japoneses ou com influência da terra do Sol nascente e criar ‘versões’ em mangá dos grande medalhões das HQs… Foi assim que surgiu, por exemplo, o Mangaverse da Marvel, iniciativa louvável… mas que gerou pouquíssimos títulos com a verdadeira qualidade de um quadrinho japonês. O Homem-Aranha é simpático… mas que diabos são aqueles X-Men, meu Deus do céu?

E é justamente contra isso que venho me pronunciar: a total perda de noção de certas empresas, que agora querem ‘animezar’ tudo só porque uma nova fatia de moleques finalmente entendeu o valor da produção oriental. Por exemplo: no caso do revival de Robotech, promovido pela Wildstorm, faz todo sentido investir em artistas com influências de mangá – afinal, tratava-se de um desenho japonês (muito bom, diga-se de passagem). Mas eu fico me perguntando: será que ninguém está cheio até os cabelos daqueles sujeitos da UDON Studios? Porra, a Marvel, a DC e uma série de outras editoras resolveram colocar os caras para desenhar uma dezena de títulos… só que porque eles tem traço de mangá!!! E nem é um desenho tão deslumbrante assim, vá… Eles usam computador demais para retocar aqui e colorir acolá, o que dá um peso de muito artificialidade ao estilo deles, deixando os caras muitíssimo longe dos grandes mestres como Katsuhiro Otomo (criador de Akira). E o que é pior: eles vem desenhando coisas que nem combinam com o traço japonês. Por exemplo: Deadpoll com cara de mangá? Fala muito sério, meu! Ele é um personagem tipicamente americano: arrogante, abestalhado, fanfarrão.

A gota d’água foi ver o Kia Asamiya, do excelente mangá Dark Angel, assumir a vaga de desenhista em Uncanny X-Men. Putz, o desenho dele é legal… mas não tem NADA ver com os mutantes da Marvel. Vocês já viram o sujeito desenhando o Noturno, o Arcanjo ou mesmo o Homem-de-Gelo? Não dá pra aturar, né? Até o filme Monstros S/A ganhou sua versão mangá… e não é que os caras cismaram que o seriado Farscape, atualmente cancelado, terá um continuação… em formato anime? Pára o mundo que eu quero descer agora! Isso só ajuda a tornar os mangás e animes uma espécie de ‘moda passageira’ – especialmente aos olhos de uma mídia que não faz questão de tentar pesquisar a origem de um fanatismo muito mais antigo do que faz crer esta ‘febre’ com cheiro de artificial.

No Brasil não é diferente, meu caro. As editoras brasileiras também perceberam que podiam entrar de cabeça na nova ‘moda’ dos mangás e inundaram nossas bancas com títulos e mais títulos que vêm superando as combalidas vendas dos heróis americanos nestas terras tupiniquins. Mas tem saído tanta coisa japonesa por aqui que muitas editoras, especialmente as menores, pararam até de se preocupar com a qualidade. “Temos que ter mangás nas bancas”, virou o lema por aqui. E que tal se preocupar mais com a qualidade das revistas ou mesmo selecionar melhor os títulos que serão lançados? Porque não existe só quadrinho japonês BOM: também temos algumas porcarias que, exatamente como os enlatados americanos, estão nos enfiando goela abaixo. Era isso que eu não queria – que os mangás virassem uma moda como eram os heróis norte-americanos na época de ouro da Abril Jovem. Vocês lembram quanta porcaria éramos obrigados a engolir em troca de algum pouco material bom???

Ai, ai… fico aqui, de dedos cruzados, rezando para que a cultura japonesa se consolide de vez no Ocidente como um bom exemplo… e não como regra de mercado, uma espécie de estampa fashion para garantir boas vendas. Quem está comigo?

Playlist
Esta coluna foi escrita ao som de:
‘Here We Go’ – Shelter
‘Sex Bomb’ – Tom Jones
‘Still Loving You’ – Sonata Artica
‘Detetive’ – Comunidade Nin-Jitsu
‘Papai Noel Filho da Puta’ – Garotos Podres
‘Time Marches On’ – Pennywise
‘Peaches’ – Presidents of USA
‘Smooth Criminal’ – Alien Ant Farm

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