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Artigo adicionado em 22/11/2005, às 04:04

ADRIANA MELO: Entrevista Exclusiva!
Sim: desenhista, mulher e brazuca!!

Por
Rodrigo "Machine Boy" Parreira


Estamos nós d’A ARCA com mais uma entrevista exclusiva. Desta vez, trata-se da desenhista brasileira Adriana Melo. Em seu currículo, estão as revistas “Fantastic Four Unplugged”, “Iron Man”, “Silver Surfer”, “Dream Angel” e outros títulos. Depois de uma pausa, com o nascimento da sua filha Letícia, ela retornou mais tarde na minissérie Rose & Thorn – que fala da dupla personalidade da personagem “Rosa & Espinho”, anti-heroína de Metrópolis – e é a capista oficial da revista Birds of Prey, sem contar alguns trabalhos para revistas ligadas ao universo da cinessérie Star Wars. Além de competente, também se mostrou muito simpática na entrevista. Então chega de enrolação, e vamos à entrevista com a moça.

A ARCA – Qual foi o seu primeiro contato com quadrinhos como leitora?
ADRIANA MELO – A primeira coisa que caiu nas minhas mãos e que foi responsável por ter decidido trabalhar com quadrinhos foi… Tcharans… Turma da Mônica… 🙂 Eu, como zilhões de crianças, lia pra caramba “Mônica”, “Cebolinha” e cia. Eu era bem pequena e saia repetindo pro povo lá de casa: “Quando eu crescer vou querer trabalhar desenhando a Mônica! Ho ho ho”. Tinha até uns personagens criados por mim e pela minha irmã gêmea, Andrea… Plágio descarado da Mônica. Mas com 7 anos não dá pra ser muito criativo, né?
A primeira revista que caiu na minha mão, e que não era Mônica, Disney e etc, foi “A Morte da Supergirl”. Acho que em 87. Aquela revista que na capa tinha o Superman segurando o corpo da garota e chorando. Eu tinha uns 11 anos e fiquei impressionada com a capa – tadinha de mim, naquela época eu ainda acreditava que quando um super-herói morria… ele morria MESMO! Depois dessa história tinha ficado horrorizada com comics…

AA – Como desenhista, qual foi o seu primeiro contato na área?
AM – Quando estava no 2.º grau, acho que tinha uns 17 anos, apareceu um trabalho sobre quadrinhos. Nós tínhamos que escolher uma história qualquer e copiar uma página dela. Escolhi A Morte do Superman – sim, sim… ele também morreu – e copiando aquilo, percebi como era divertido desenhar super-heróis. A partir daí, peguei gosto pela coisa e fui comprando mais e mais revistas. Geralmente tudo do Alan Davis

AA – Sua família não achou estranho você seguir este ramo, já que ainda há muito machismo nesta área?
AM – Minha família foi sempre maravilhosa!! Brinco que minha mãe sempre foi minha marchand. Quando inventei que queria pintar quadros, ela comprava o material. Quando percebeu que eu gostava de desenho, me encaminhou pro 2.º grau técnico – Desenho de Comunicações. E sempre elogiando meu trabalho e me dando o maior apoio. A D.Nice é responsável pelo meu trabalho hoje. Apoiou-me desde pequena.

AA – Você já trabalhou um tempo na Marvel, na Dark Horse e na DC Comics. Nestas experiências, criou alguma preferência entre as três?
AM – Gosto de cada uma das três editoras por motivos diferentes:
*Marvel – meus personagens favoritos – os X-Men;
*DC Comics – encontrei uma roteirista fantástica, chamada Gail Simone. Excelente pessoa e muito boa de papo. Ela escreveu a minissérie “Rose & Thorn” e escreve a “Birds of Prey” – cujas capas eu faço;
*Dark Horse – encontrei – vou deixar a Gail como hours-concours aqui – os melhores roteiros, com diálogos mais sólidos que caíram na minha mão. Cada roteiro de “Star Wars” era um filme.

AA – Você é fã de Star Wars? Como foi trabalhar com estes personagens “mitológicos”?
AM – Sempre gostei pra caramba de Star Wars. Ficava babando pela história, pelas naves, pelo Luke, pelos efeitos, pelo Luke 🙂 … Sem contar o Han Solo… Meu favorito. Foi um sonho mesmo ter um roteiro com a princesa Léia, o Han e o Luke caindo na minha mão.

AA – Você acha que fazer Star Wars é mais difícil, já que existem rostos de carne e osso conhecidos? Acha que perde um pouco de liberdade?
AM – Que nada! Foi uma delícia trabalhar com aquilo! Cá entre nós, tenho tique nervoso só de pensar em desenhar prédios, ruas etc. E no mundo de SW – desde que não fosse um mundo já existente – eu tinha liberdade pra inventar uma coisa ou outra aqui e ali. Uma árvore diferente… Duas ou 3 luas… Coisas assim. Eu amo trabalhar com fotos e quilos de referências, então não era problema nenhum assistir a trilogia clássica e sair imprimindo quilos de referências para as naves – sempre usei a mesa de luz pra desenhá-las – e rostos. Tinha personagens novos, eu podia criá-los com a aparência que eu quisesse, seguindo apenas algumas idéias do roteirista – cor dos olhos, tipo de cabelos, etc…

AA – Você acha que é um bom sinal ver “Birds of Prey” nas bancas, visto que temos uma argumentista mulher, uma capista mulher e personagens principais femininos? Será que os editores estão mudando um pouco a cabeça?
AM – É realmente fantástico! Meu sonho é ainda montar um grupo de garotas completo pra fazer uma revista – yeah, clube da Luluzinha, Garotas Superpoderosas, etc 🙂 – Roteirista (Gail), desenhista (eu) e colorista (a Cris de Lara do Rio, é muito boa mesmo).
E a maior indicação que as coisas estão mudando mesmo é a linha das histórias de “Birds of Prey”. Elas mostram um pouco além de simplesmente três garotas usando roupas coladas… Tem espaço pra humor, um pouco de romance, todo o drama da Oracle (Oráculo) etc…
Nunca encontrei preconceito direto, apenas duas piadinhas a respeito dos meus desenhos que me perseguem:
1 – “Você não desenha como uma mulher!!” – tradução: mulheres tendem a ter um traço mais ‘suave’, detalhado, sem pesar a mão nas cenas de ação, nas hachuras e nas sombras. BAH!! 🙁 (sim já ouvi isso de editores)
2 – “Você já checou o seu nível de testosterona???” – tradução: fãs disseram que eu desenho as garotas como se fosse um homem, porque elas são… bonitinhas 🙂

AA – Você pretende, quando tiver um tempo mais livre, se dedicar a algum projeto nacional?
AM – Claro! Seria muito legal desenhar uma história passada na Avenida Paulista ou no Pelourinho, Copacabana, etc… Seria o máximo mesmo. O problema é que quadrinhos não são levados a sério no nosso país. Continua sendo visto como coisa de criança, algo de valor menor.

* Uma pequena pausa: Adriana interrompe a entrevista para me mostrar uma tirinha do Laerte que representa o resumo da vida dos desenhistas brasileiros. E concordo com ela. 😀

AA – Se você pudesse escolher, com qual personagem trabalharia? E com qual autor?
AM – Nossa, meu soooooonho é desenhar X-Men. Se caísse um roteiro deles na mão, com direito a desenhar meus preferidos – Kitty Pryde, Noturno, Gambit – putz, eu teria que tomar ‘Maracujina’ pra acalmar. Todas aquelas histórias com a formação da década de 70 – Tempestade, Colossus, Wolverine etc. – fizeram eu perceber que eu queria trabalhar fazendo aquilo pela vida toda.
Amo – é claro – Chris Claremont, a Gail… Estou louca pra trabalhar de novo com o Ron Marz (Green Lantern, Witchblade);

AA – E 2006? Alguma previsão de coisa nova?
AM – 2006 está em branco pra mim… Volto à ativa na metade de janeiro fazendo coisas novas pro meu portfolio e batendo na porta das editoras… Mas sinto que tem coisa boa no ar, esperando logo ali na esquina… Vamos manter os dedos cruzados. O mais provável seriam as capas – que eu amo fazer – e uma outra minissérie. Mas tudo é incerto ainda… Vamos ver o que 2006 tem a trazer.

AA – Desde pequeno que eu rabisco algo, e minha sobrinha acabou acompanhando a mania. E na sua casa, a pequena Melo seguirá seus passos?
AM – Minha lindinha Letícia cresceu cercada por quadrinhos do tipo “Spider-Man”, “X-Men”… Ela tem os preferidos dela e sempre que vê algo do J. Scott Campbell – tipo “Danger Girl”, “Gen 13” – ela pega pra ler. Ela diz que quando ficar mais velha, vai querer me ajudar com arte-final ou colorindo. É tudo que pedi a Deus!

AA – Você sabe que a cada ano surgem vários jovens com um sonho de seguir a carreira de desenhista de quadrinhos. Qual seu conselho para eles?
AM – Vou contar em poucas palavras algo que aconteceu comigo: trabalhei com comics até meus 22 anos, quando casei e um ano depois minha linda nasceu. A essa altura, tinha minha casa, o maridão recebia um pagamento legal. Mas tudo que eu ouvia, é que comics estava em baixa, quase ninguém estava trabalhando com isso mais e frequentemente eu ouvia a frase: ‘Você tem sua casa, seu bebê, muitas responsabilidades… Deixe essa coisa de desenhar pros americanos pra lá…’ e fui tocando a vida…
Lembro de estar várias vezes na cozinha – sim, aquele era meu estúdio na antiga casa – e ficar balançando o carrinho com um pé enquanto copiava fotos de catálogos de moda – lembra dos meus pontos fracos? Tecidos e roupas eram minha cruz. Não falava nada, só ficava na minha, treinando. Quando minha menina completou 4 anos, recebi uma mensagem do David Campit (antigo agente) querendo saber se eu tinha algum interesse em voltar pra área. Minha resposta? YYYYEEEEAAAAHHHH!!!
Entendo que, se eu com minha anjinha do lado, consegui vencer minhas barreiras e pontos fracos – ok… Prometo melhorar meus tecidos e cenários – entende que qualquer um pode fazer o mesmo. É batido, mas querer é poder!!

AA – Deixe uma última mensagem para os leitores d’A ARCA.
AM – Só acrescentar que tenho em Deus o maior responsável por tudo que faço na minha carreira. Melhor Amigo e Inspirador. E que quero trabalhar com isso até ficar velhinha, de bengala e xale nas costas, ainda comprando “X-Men” nas bancas pra usar como referência.

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