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Artigo adicionado em 24/10/2006, às 11:45

OS SUPREMOS – O FILME: “desultimatezaram” os Vingadores?
Mas hein?! O.o

Por
Thiago "El Cid" Cardim


Quando a Marvel Comics lançou os gibis do selo Ultimate (cujas histórias são publicadas por aqui dentro da revista Marvel Millenium: Homem-Aranha), o conceito era bem simples: reinventar seus principais personagens em uma nova cronologia, totalmente independente da original, para dar uma cara mais moderna, mais século XXI, a estes heróis, apresentando-os a um público que começa a se interessar por quadrinhos graças aos bem-sucedidos filmes blockbuster de super-heróis e tirando o pó de criações que, afinal de contas surgiram na década de 60 – inserindo mais agilidade e o atual contexto social-tecnológico-político no qual o mundo está vivendo. Assim sendo, os Vingadores, a principal equipe de heróis da editora, também ganharam sua contraparte “ulimate”, batizada apropriadamente de The Ultimates (por aqui, “Os Supremos”). Explicado? Ok.

Agora, vamos ao acordo da Marvel Films com a Lions Gate para a produção de longas-metragens animados com lançamentos direto para DVD de alguns de seus principais personagens. E o primeiro deles seriam justamente os tais Supremos, que rapidamente tornaram-se sucesso de vendas e um dos títulos favoritos da editora – inclusive no Brasil. E então, quando você resolve assistir ao tal filme – diabos, e não é que eles se parecem muito mais com os Vingadores da versão original, da cronologia tradicional? E ainda da década de 60? Ok, o visual é realmente aquele dos Supremos, tudo bem. E temos a presença do Nick Fury negro no comando e a ligação militar da equipe. Tudo bem. Mas esqueça os diálogos ácidos, esqueça as críticas políticas, esqueça os palavrões, esqueça o fenomenal desenvolvimento de personagens. Esqueça tudo isso. Supremos – O Filme é uma produção quase infantil, pueril, que não pode ser minimamente comparada ao material original – muito mais adulto e menos voltado ao adolescente médio americano imbecilóide.

Em uma história quase 100% centrada no Capitão América, vemos um Hank Pym (Gigante) que não passa de um tiozinho reclamão, uma Janet Van Dyne (Vespa) sem qualquer expressividade, uma Viúva Negra metida a femme fatale e com um sotaque horrendo, um Homem de Ferro do tipo “bad boy” (e estranhamente, com uma identidade secreta – já que, na versão “ultimate”, todo mundo sabe que Tony Stark é o alter-ego do guerreiro metálico), um Hulk (novamente verde e sob controle inicial de Banner, o que não faz qualquer sentido, e com origem ligada aos raios gama, o que só aconteceu na cronologia normal) sem qualquer papel relevante na história – e, a coisa mais triste, um Thor (por que sem barba?) funcionando como alívio cômico, um sujeito nórdico enorme que só sabe beber cerveja e arrotar. Sim, isso é sério.

A trama guarda semelhanças com aquela apresentada por Mark Millar no “volume 1” dos Supremos, embora vá direto ao assunto de uma vez: de volta à Segunda Guerra Mundial, vemos o Bandeiroso liderando uma invasão a uma base secreta nazista, logo depois da queda de Hitler. Lá, ele surpreende cientistas alemães trabalhando lado a lado com alienígenas – exatamente, os Chitauri (espécie de versão “ultimate” dos transmorfos skrulls) – no desenvolvimento de uma arma atômica. Com a ação rápida do Capitão, o foguete cujo destino era a capital dos EUA é detido, mas o herói desaparece nas gélidas águas do oceano. Corta para os dias de hoje, quando a agência governamental S.H.I.E.L.D. busca justamente pelo cadáver congelado do Capitão, que guarda os segredos da fórmula do soro do supersoldado, no qual o Dr.Banner está trabalhando para criar um exército que possa combater a ação dos Chitauri – cujos verdadeiros planos, fora a destruição dos satélites que podem detectar o metal vibranium presente em suas naves, nunca são verdadeiramente revelados.

Como você bem deve supor, no entanto, o Capitão não estava morto e acaba acordando de sua animação suspensa. Com a crescente ameaça dos Chitauri, Fury é obrigado a reunir diversos seres superpoderosos em uma superequipe liderada – obviamente – pelo recém-acordado Steve Rogers. É hora de colocar em prática o projeto…Vingadores. Sim, o nome Supremos (ou “The Ultimates”, na versão em inglês) não é usado em nenhum momento!

A produção até que não é de todo ruim, e a animação tem alguns bons momentos – como na aparição do Hulk, por exemplo, e em sua breve luta com o Deus do Trovão (para desespero do Fanboy, no entanto, a perseguição dos helicópteros ao Homem de Ferro é assustadoramente ruim, com uma utilização tosca de efeitos 3-D para simular as ruelas da cidade). Mas é tudo tão certinho, quadradinho e óbvio demais, que chega a dar sono. Politicamente correto até as bolas, e patriota até dizer chega. Definitivamente, Mark Millar ficaria enjoado. Aliás, será que ele viu isso?

Vamos ao paralelo que tracei assim que os créditos finais (com a arte de Bryan Hitch, desenhista do gibi original) subiram: em comparação com o gibi, V de Vingança é um filme médio. Razoável. Mas analisado fora deste contexto, é uma produção corajosa até, muito legal, que funciona bem melhor do que muitas porcarias do padrão hollywoodiano. Este “Os Supremos – O Filme”, em comparação com o gibi original, é uma porcaria. Mesmo, sem poupar palavras. Mas analisado fora deste contexto…é uma chatice. O me faz voltar à pergunta que já me fiz algumas vezes por aqui: o que leva um produtor a escolher determinado personagem para ser adaptado para os cinemas, a gastar uma fortuna com a produção e com os direitos autorais…só para mudar radicalmente todo o seu conceito? Lembrem de Elektra e Mulher-Gato, só para citar os dois exemplos mais gritantes. Não seria mais fácil e menos estressante tentar adaptar para as telonas um personagem mais fácil, mais palatável, mais vendável? Por que esta gente gosta de complicar tanto? Aí vem Os Supremos 2, com uma história inédita e apresentando pela primeira vez o Pantera Negra. Que medo. Na dúvida, troque por qualquer episódio de Liga da Justiça Sem Limites. Sou marvete de carteirinha, mas certas coisas não dá para negar.

Os Supremos – O Filme (Título Original: The Ultimate Avengers) / Ano: 2006 / Produção: Estados Unidos / Direção: Curt Geda & Steven E. Gordon / Roteiro: Greg Johnson, Boyd Kirkland & Craig Kyle / Elenco (Dubladores Originais): Justin Gross, Grey DeLisle, Michael Massee, Olivia d’Abo, Marc Worden, Nan McNamara, Nolan North, Andre Ware, David Boat, Fred Tatasciore / Duração: Aprox.71 minutos.

Os Extras do DVD:
FORMATO DE TELA: Fullscreen (16×9) / LEGENDAS: Inglês e Português / ÁUDIO: Inglês 5.1 e Português 2.0 / EXTRAS: Trailers dos Próximos Lançamentos, Trailer do Filme, Sinopse, Ficha Técnica, Making Of da Dublagem Original, Prévia de “Os Supremos 2”, Trivia Track Original e DVD-ROM Game Original.

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