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Artigo adicionado em 24/10/2006, às 11:44

Review: HOMEM-ARANHA – RUAS DE FOGO
Òia! E não é que o treco é bom, menino?

Por
Thiago "El Cid" Cardim


Você, que costuma acessar A ARCA com freqüência, sabe que sou fã declarado e colecionador assíduo de tudo que diz respeito ao Homem-Aranha: gibis, CDs, DVDs, bonecos, chaveiros, adesivos, camisetas, canetas, canecas e demais quinquilharias colecionáveis. Até a minha carteira é estampada pelo simpático Amigão da Vizinhança! Assim sendo, era de se esperar que eu também fosse trazer para a minha coleção o tal Homem-Aranha: Ruas de Fogo lançado pela Panini Comics no Brasil – que é nada mais do que um livro estrelado pelo herói. Pois é, caros leitores mais jovens: literatura tradicional, sem figuras, requadros, balões ou onomatopéias. Isso existe mesmo, sabiam? 😛

Enfim: assim que tirei o dinheiro do bolso, podia jurar que estava fazendo um mau negócio, daqueles que só fã mesmo costuma fazer, comprando única e exclusivamente pela presença do Cabeça de Teia na capa (ah, a “Saga do Clone”…). Mas passadas as primeiras (e decisivas) dez páginas iniciais…bingo! Caí de maneira violenta do cavalo e percebi que tinha me deparado com uma obra deliciosa, que trazia tudo que eu mais gostava no herói e ainda mais um pouco, focada 100% nos personagens e escrita com requinte de detalhes para fã nenhum botar defeito.

Conhecido por seu trabalho transportando o universo de Jornada nas Estrelas (Star Trek) para os livros, o autor Keith R. A. Decandido se fixa muito mais no lado humano e urbano das tramas do aracnídeo, deixando as pancadarias e supervilões esclerosados de lado para apresentar uma história na qual Peter Parker é o astro, dentro ou fora de seu uniforme colorido. Sem aqueles malditos enredos cósmicos, sem viagens para outros planetas, sem batalhas com raios laser, sem universos paralelos, sem zonas negativas e…sim, sim, você não achou que eu ia esquecer…SEM SIMBIONTES!

A história mostra uma nova droga que toma conta das ruas de Nova York: o triex, uma espécie de ecstasy bombardeado com os bons e velhos raios gama e que dá momentaneamente superpoderes aos seus usuários. Agora, além da ameaça dos traficantes, das guerras de gangues e da violência típica da Grande Maçã, o Aranha terá que se deparar com uma nova safra de “Hulks de ocasião” quebrando tudo por aí. E para quem acompanha os gibis, saiba que a história se encaixa na cronologia atualmente apresentada no Brasil, com Peter ministrando aulas de ciência no Colégio Midtown e Mary Jane Watson Parker tentando a sorte no modesto circuito teatral off-Broadway.

O trabalho de Decandido revela pequenas nuances do relacionamento de Peter e sua esposa que a linguagem acelerada dos quadrinhos mensais seriados não permitiria – você imagina, por exemplo, que o casal recebe uma boa grana por mês dos direitos autorais de suas fotos (ele, das que tirou para o “Clarim Diário”, ela das fotos que estrelou quando era modelo)? Que Peter Parker pode não beber, não fumar e não usar drogas, mas não vive sem tomar café? E que a Tia May tem um jeito todo especial de olhar quando está dando uma daquelas “broncas de mãe” em Peter?

Outro ponto interessante é ver que “Ruas de Fogo” abre espaço para que se saiba mais a respeito das visões da polícia, da bandidagem comum e da população em geral (leia-se “Eileen Velasquez”) perante a presença dos super-heróis – em especial, um sujeito como o Homem-Aranha, que caça ladrões de bancos e marginais de beira de estrada com a mesma freqüência com a qual se engalfinha com superpoderosos de todos os tipos. Cria-se um universo factível e absolutamente palpável no qual Nova York, em especial sua periferia, é personagem fundamental da história e acaba ficando totalmente comum e corriqueira mesmo para quem nunca tirou os pés da terra natal tupiniquim.

Os policiais apresentados na 24º DP de Nova York, a divisão especial de combate ao triex, merecem literalmente um parágrafo à parte – e eu, se fosse um Joe Quesada da vida, não pensaria duas vezes em colocá-los mais vezes participando do aracno-universo, inclusive dos quadrinhos. É sensacional ver as diferentes posturas dos policiais defronte do vigilante mascarado, indo do apoio irrestrito ao asco declarado. Dois diálogos, em especial, são memoráveis: quando a ruiva O’Leary, principal incentivadora da ação conjunta da polícia e dos heróis, faz todas as perguntas que sempre teve entaladas na garganta a um Homem-Aranha surpreso. E quando o intolerante Shanahan diz, com todas as letras, os motivos pelos quais não pode acreditar nas reais intenções de alguém que anda por aí combatendo o crime sem mostrar o rosto.

A cereja no bolo, no entanto, são os sutis detalhes de muitos e muitos anos de confusa cronologia marvelística que Decandido vai amarrando aqui e ali para melhor desenvolvimento da trama. Além de tornar a coisa toda um excelente ponto de partida para novos fãs, que vão entender o essencial sobre a vida do aracnídeo, passado e presente, sem precisar ler calhamaços e mais calhamaços de gibis antigos, o escritor prova que fez a lição de casa direitinho e relembra os colecionadores mais fanáticos (como eu) de cada pequena passagem da vida de Peter e outros personagens, como MJ, Tia May, Betty Brant, J.Jonah Jameson, Doutor Octopus e afins, arrancando suspiros como “Nossa, é mesmo!”, “Caraca, ele lembrou disso!”, “Vixe, eu tenho este gibi!” a cada cinco minutos. Você lembra que a Mary Jane começou a fumar? E o motivo pelo qual Octopus queria casar com a Tia May? E da noiva que Otto Octavius teve quando era jovem? Você sabe quem é Carolyn Trainer? Ou Blackie Glaxton? Pois é. Eu sei! 😉

“Homem-Aranha: Ruas de Fogo” só não recebe uma notinha 10 por conta de algumas escorregadelas da editora. Além de alguns persistentes probleminhas ortográficos e gramaticais que poderiam ter sido evitados com uma revisão um tantinho mais cuidadosa, a tradução insiste em certos regionalismos paulistanos que talvez prejudiquem a apreciação do livro em outras partes do país. Isso sem falar no triex que, na contra-capa, se transforma em tripex – e na peça estrelada por MJ, que ora é O Eixo Z e ora O Eixo X.

Deixando as eventuais picuinhas de lado, o fato é que o produto é daqueles que nenhum colecionador do herói pode deixar de ter na estante – e também uma iniciação ideal para a sua namorada que não gosta de quadrinhos, mas que você vai precisar arrastar com você para a estréia de Homem-Aranha 3… 😉

Homem-Aranha: Ruas de Fogo (Título Original: Spider-Man – Down These Mean Streets / Ano: 2005 (Estados Unidos) / Editora: Panini Comics / Escrito por Keith R. A. Decandido / Capa: Joe Jusko / Páginas: 304 / Preço: R$ 14,90

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